Como preparar a casa para receber uma criança acolhida no Natal

Por Equipe CEVAM · 29 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Receber uma criança acolhida no Natal não exige reforma nem presente caro. Exige preparo: conversar com quem mora na casa, saber o básico sobre a criança, deixar um canto pronto para ela e pensar na despedida antes mesmo da chegada.

Este guia é para quem já está credenciado ou em processo de credenciamento na campanha de Natal do CEVAM. Se você ainda está decidindo, comece por como funciona o apadrinhamento de Natal.

Antes: as conversas que precisam acontecer

Com quem mora com você

Todo mundo da casa precisa estar de acordo, e não só "não se opor". Filhos, cônjuge, um parente que mora junto: cada um vai conviver com a criança durante esses dias.

Se você tem filhos, explique de forma simples quem vem e por quê. Crianças costumam aceitar bem quando entendem que o visitante não vai "tomar o lugar" de ninguém. Vale combinar antes se haverá presentes iguais para todos, quem divide o quarto e como vão ser as brincadeiras.

Com a equipe do CEVAM

Pergunte tudo o que puder ajudar a receber bem a criança:

  • idade e algumas preferências (comida, brincadeiras, se gosta de ler, se tem medo de cachorro);
  • restrições alimentares, alergias e medicamentos de uso contínuo;
  • horário de busca e de devolução na unidade de acolhimento;
  • o que fazer em caso de emergência e para quem ligar.

Não tenha receio de perguntar demais. A equipe prefere uma família que pergunta a uma que improvisa.

A casa: o que deixar pronto

O objetivo é que a criança perceba, logo ao chegar, que alguém pensou nela.

  • Um lugar para dormir que seja dela nesses dias: cama arrumada, travesseiro, uma manta.
  • Itens de uso pessoal novos: escova de dentes, toalha, chinelo. Parece detalhe, mas em instituição quase nada é só de uma pessoa.
  • Um espaço para guardar as coisas, mesmo que seja uma gaveta ou uma prateleira.

Se a criança for pequena, faça a checagem de segurança que você faria para qualquer visita dessa idade: remédios e produtos de limpeza fora do alcance, atenção com piscina, varanda e escadas.

A agenda: menos é mais

A tentação é encher os dias de programação: shopping, cinema, visita a três casas de parentes, ceia com a família inteira. Para uma criança que vive uma rotina institucional, isso pode ser cansativo e até assustador.

Funciona melhor assim:

  • um ou dois programas especiais, no máximo;
  • tempo livre em casa, sem plano nenhum;
  • participação nas tarefas do Natal: montar a árvore, enrolar presente, ajudar na cozinha;
  • se a ceia for grande, um adulto de referência sempre por perto da criança.

Quando a família é numerosa, ajuda apresentar as pessoas aos poucos e avisar os parentes para não fazerem perguntas sobre a história da criança ("por que você mora no abrigo?", "cadê sua mãe?"). Pode parecer óbvio, mas acontece muito.

Fotos e redes sociais

É natural querer registrar o momento. Combine antes com a equipe do CEVAM o que pode ser feito. A orientação mais segura é não publicar fotos em que a criança apareça identificada nas redes sociais. Ela está sob proteção da Justiça, e a imagem dela não é algo que a família madrinha possa decidir sozinha.

Uma boa alternativa: imprimir algumas fotos e dar para a criança levar. É uma lembrança que fica com ela.

A despedida

Este é o momento que mais exige cuidado. Algumas orientações:

  • Lembre a criança, ao longo dos dias, de quando ela volta. Assim a volta não chega como surpresa.
  • Não prometa o que não sabe se vai cumprir. "Ano que vem você volta" só se você tiver certeza.
  • Seja pontual na devolução. Atrasar "para ficar mais um pouquinho" quebra o combinado com a unidade e deixa a despedida mais longa e difícil.
  • Deixe a criança levar o que é dela: presentes, fotos, a escova de dentes nova.

Se a experiência foi boa para todos e você quer continuar, converse com a equipe técnica sobre o apadrinhamento afetivo contínuo. Muitos padrinhos do Com Viver começaram exatamente pelo Natal.