Como preparar a casa para receber uma criança acolhida no Natal
Receber uma criança acolhida no Natal não exige reforma nem presente caro. Exige preparo: conversar com quem mora na casa, saber o básico sobre a criança, deixar um canto pronto para ela e pensar na despedida antes mesmo da chegada.
Este guia é para quem já está credenciado ou em processo de credenciamento na campanha de Natal do CEVAM. Se você ainda está decidindo, comece por como funciona o apadrinhamento de Natal.
Antes: as conversas que precisam acontecer
Com quem mora com você
Todo mundo da casa precisa estar de acordo, e não só "não se opor". Filhos, cônjuge, um parente que mora junto: cada um vai conviver com a criança durante esses dias.
Se você tem filhos, explique de forma simples quem vem e por quê. Crianças costumam aceitar bem quando entendem que o visitante não vai "tomar o lugar" de ninguém. Vale combinar antes se haverá presentes iguais para todos, quem divide o quarto e como vão ser as brincadeiras.
Com a equipe do CEVAM
Pergunte tudo o que puder ajudar a receber bem a criança:
- idade e algumas preferências (comida, brincadeiras, se gosta de ler, se tem medo de cachorro);
- restrições alimentares, alergias e medicamentos de uso contínuo;
- horário de busca e de devolução na unidade de acolhimento;
- o que fazer em caso de emergência e para quem ligar.
Não tenha receio de perguntar demais. A equipe prefere uma família que pergunta a uma que improvisa.
A casa: o que deixar pronto
O objetivo é que a criança perceba, logo ao chegar, que alguém pensou nela.
- Um lugar para dormir que seja dela nesses dias: cama arrumada, travesseiro, uma manta.
- Itens de uso pessoal novos: escova de dentes, toalha, chinelo. Parece detalhe, mas em instituição quase nada é só de uma pessoa.
- Um espaço para guardar as coisas, mesmo que seja uma gaveta ou uma prateleira.
Se a criança for pequena, faça a checagem de segurança que você faria para qualquer visita dessa idade: remédios e produtos de limpeza fora do alcance, atenção com piscina, varanda e escadas.
A agenda: menos é mais
A tentação é encher os dias de programação: shopping, cinema, visita a três casas de parentes, ceia com a família inteira. Para uma criança que vive uma rotina institucional, isso pode ser cansativo e até assustador.
Funciona melhor assim:
- um ou dois programas especiais, no máximo;
- tempo livre em casa, sem plano nenhum;
- participação nas tarefas do Natal: montar a árvore, enrolar presente, ajudar na cozinha;
- se a ceia for grande, um adulto de referência sempre por perto da criança.
Quando a família é numerosa, ajuda apresentar as pessoas aos poucos e avisar os parentes para não fazerem perguntas sobre a história da criança ("por que você mora no abrigo?", "cadê sua mãe?"). Pode parecer óbvio, mas acontece muito.
Fotos e redes sociais
É natural querer registrar o momento. Combine antes com a equipe do CEVAM o que pode ser feito. A orientação mais segura é não publicar fotos em que a criança apareça identificada nas redes sociais. Ela está sob proteção da Justiça, e a imagem dela não é algo que a família madrinha possa decidir sozinha.
Uma boa alternativa: imprimir algumas fotos e dar para a criança levar. É uma lembrança que fica com ela.
A despedida
Este é o momento que mais exige cuidado. Algumas orientações:
- Lembre a criança, ao longo dos dias, de quando ela volta. Assim a volta não chega como surpresa.
- Não prometa o que não sabe se vai cumprir. "Ano que vem você volta" só se você tiver certeza.
- Seja pontual na devolução. Atrasar "para ficar mais um pouquinho" quebra o combinado com a unidade e deixa a despedida mais longa e difícil.
- Deixe a criança levar o que é dela: presentes, fotos, a escova de dentes nova.
Se a experiência foi boa para todos e você quer continuar, converse com a equipe técnica sobre o apadrinhamento afetivo contínuo. Muitos padrinhos do Com Viver começaram exatamente pelo Natal.