Mitos e verdades sobre apadrinhar uma criança
Muita gente desiste de apadrinhar antes mesmo de procurar informação, por causa de ideias que não correspondem à realidade. Outras entram no programa com expectativas erradas. Juntamos aqui as dúvidas que a equipe do CEVAM mais ouve.
"Só casais podem apadrinhar"
Mito. O Programa Com Viver aceita pessoas a partir dos 18 anos, independente do estado civil. Solteiros, viúvos, divorciados e casais podem participar. O que importa é a disponibilidade e o ambiente que você oferece, não o formato da família.
"Precisa ter dinheiro"
Mito. O apadrinhamento afetivo não é ajuda financeira. Ninguém espera que você pague escola, compre roupas ou dê presentes caros. Os programas que a criança mais lembra costumam ser simples: um almoço de domingo, um passeio no parque, uma tarde cozinhando junto.
Claro que receber alguém em casa tem algum custo, como a comida e o transporte. Mas o que pesa mesmo é o tempo, não o bolso. Se você quer contribuir com recursos, existe o apadrinhamento financeiro, explicado em tipos de apadrinhamento.
"Apadrinhar é um jeito mais rápido de adotar"
Mito. Esse é o equívoco mais comum. Pela lei, quem está inscrito no cadastro de adoção nem pode ser padrinho. São caminhos separados, com objetivos diferentes. Detalhamos isso em apadrinhamento afetivo e adoção.
"Criança de abrigo é problemática"
Mito, e um mito que machuca. Essas crianças estão no acolhimento por causa do que adultos fizeram ou deixaram de fazer com elas, não por algo que elas fizeram. São crianças comuns, com gostos, manias, talentos e dificuldades, como quaisquer outras.
É verdade que muitas carregam marcas de experiências difíceis, e isso pode aparecer no comportamento. Por isso o programa tem acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais, e por isso existe a preparação antes do primeiro encontro.
"Vou me apegar e sofrer quando ela voltar para o abrigo"
Meia verdade. Você vai se apegar, e isso é bom: é sinal de que o vínculo existe. Mas a criança volta para a instituição depois de cada encontro, e isso faz parte do combinado desde o início.
Padrinhos experientes costumam dizer que a despedida fica mais leve quando a gente muda a pergunta. Em vez de "por que ela não pode ficar?", passa a pensar "o que ela leva daqui?". E o que ela leva é muito.
"Posso buscar a criança quando eu quiser"
Mito. Os encontros seguem as regras do programa e da unidade de acolhimento: dias, horários de busca e devolução, autorizações para viagens. A criança continua sob responsabilidade da instituição e da Justiça. Essas regras protegem a criança e também o padrinho.
"Tem muita burocracia"
Em parte. Existem etapas: inscrição, documentos, entrevista com psicóloga, visita técnica. Mas cada uma tem um motivo claro, e o processo é bem mais simples do que o da adoção. Veja o passo a passo completo.
"Se eu desistir, não tem problema"
Mito. Para a criança, tem. Um padrinho que some sem explicação repete justamente a experiência de abandono que ela já viveu. Se a sua vida mudar e você não puder continuar, converse com a equipe do CEVAM para que o encerramento seja feito com cuidado.
Por isso vale pensar bem antes de começar. Se o momento não é o ideal, há outras formas de ajudar.
"Faz diferença de verdade"
Verdade. Entre 2004 e 2019, o Programa Com Viver realizou 5.810 apadrinhamentos afetivos em Belo Horizonte e região. Por trás de cada número há uma criança que teve, pelo menos por um tempo, um adulto que voltava para buscá-la.